domingo, 28 de agosto de 2011

AMO J G DE ARAÚJO JORGE



Não Te Gosto em Silêncio





Não te gosto em silêncio porque te sinto distante...

Entre tua boca e a palavra mora talvez minha angústia

como entre o dia e a noite

vacila a longa dúvida do crepúsculo.



Não te gosto em silêncio, quando há em teus olhos, pousados,

dois estranhos pássaros noturnos,

e teus lábios emudecem como a fonte nos ásperos

e intermináveis invernos.



Não te gosto em silêncio quando te envolves com as coisas

que te cercam, como se fosses uma delas,

quando estás como as águas paradas, cuja beleza

é apenas o reflexo das estrelas.



Por isto te provoco é te atiro perguntas

como pedras quebrando a impassibilidade do lago,

como pancadas no gongo que estremece e vibra

e te traz à tona para mim.



Não te gosto em silêncio, porque parece que atrás de tua voz

ainda se esconde alguém que tu própria não conheces,

a alguém embuçado a ameaçar nosso sonho

e que só tuas palavras poderão expulsar.



Não te gosto em silêncio, porque preciso ainda de tua palavra

para te descobrir,

lanterna adiante de meu passo, alvorada desenterrando

na noite emaranhada meu indeciso caminho.



Porque preciso ainda que tua palavra chegue como um vento forte

arrastando nuvens, limpando céus e horizontes,

levando folhas doentes, te descobrindo ao sol...

.

Um dia te gostarei em silêncio. E então me recolherei em teu silêncio,

e procurarei a sombra, como o pássaro na hora da tarde,

e porque o sol estará em nós e nada turvará meu pensamento,

entre tua boca e a palavra haverá apenas o meu beijo.



J.DE ARAUJO JORGE 
 
 
 
 



Não Tens Culpa...



Não tens culpa

se este amor nasceu como uma planta humilde

e ignorada,

que ninguém plantou, mas que vive e que cresce,

e afinal em meu peito criou fundas raízes

e todo em flores azuis de sonho se enfloresce...



Não tens culpa de nada...

Que culpa terás se meus olhos

nunca mais te esqueceram

assim tristes corno estão,

e se encontrando desprevenido o pensamento,

entraste e chegaste ao coração?



Culpemos o Destino, ou ninguém.'..

E para que falar em culpa

se de nada estamos certos,

se serás sonho apenas,

sonho de olhos abertos,

fora do alcance da mão?. . .
 
 
J G DE ARAÚJO JORGE
 
 




Desabafo







Longe de ti, este amor me põe agitado

como um mar de agosto



Eu precisaria talvez de fazer uma sangria

nesta angustiosa saudade

que carrego opresso, tantas horas,

como um sonho desenganado.



Recuo sempre, entretanto. Avaramente recuo.

Não sei partilhar-te com ninguém,

ainda que seja para aliviar

o coração.
 
 
JG DE ARAÚJO JORGE
 
 


 
Contraste





Vou pela rua, solitário, miserável em minha tristeza,

como um vagabundo friorento e sem dormida...



Tinha vontade que me encontrasse, para te dizer:

afinal, sem ti, eis o que resta da minha vida,

eis de mim tudo que resta...



E a noite segue ao meu lado, feliz, indiferente

como uma adolescente

de vestido de baile a caminho da festa...



JG DE ARAÚJO JORGE
 
 
 

2 comentários:

  1. Olá, vi seu link no ostra e resolvi conhecer. Achei encantador e muito belo. Adoro JG DE ARAÚJO JORGE, é dos meu poeta favorito. Parabéns pelo belos escritos, adorei te ler um pouco. Voltarei mais vezes, e vou seguir já. Convido a conhecer meu blog, e se gostares me siga. Beijos!

    Smareis

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  2. Gosto muito desse autor.
    Lindo seu espaço!
    Vim ler vc e deixar o convite para que deixe suas impressões la no meu canto sobre um assunto especial.
    Vou adoar saber que por la passou.
    Ja estou te seguindo para não nos perdermos mais.
    Bjins

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