Não Te Gosto em Silêncio
Não te gosto em silêncio porque te sinto distante...
Entre tua boca e a palavra mora talvez minha angústia
como entre o dia e a noite
vacila a longa dúvida do crepúsculo.
Não te gosto em silêncio, quando há em teus olhos, pousados,
dois estranhos pássaros noturnos,
e teus lábios emudecem como a fonte nos ásperos
e intermináveis invernos.
Não te gosto em silêncio quando te envolves com as coisas
que te cercam, como se fosses uma delas,
quando estás como as águas paradas, cuja beleza
é apenas o reflexo das estrelas.
Por isto te provoco é te atiro perguntas
como pedras quebrando a impassibilidade do lago,
como pancadas no gongo que estremece e vibra
e te traz à tona para mim.
Não te gosto em silêncio, porque parece que atrás de tua voz
ainda se esconde alguém que tu própria não conheces,
a alguém embuçado a ameaçar nosso sonho
e que só tuas palavras poderão expulsar.
Não te gosto em silêncio, porque preciso ainda de tua palavra
para te descobrir,
lanterna adiante de meu passo, alvorada desenterrando
na noite emaranhada meu indeciso caminho.
Porque preciso ainda que tua palavra chegue como um vento forte
arrastando nuvens, limpando céus e horizontes,
levando folhas doentes, te descobrindo ao sol...
.
Um dia te gostarei em silêncio. E então me recolherei em teu silêncio,
e procurarei a sombra, como o pássaro na hora da tarde,
e porque o sol estará em nós e nada turvará meu pensamento,
entre tua boca e a palavra haverá apenas o meu beijo.
J.DE ARAUJO JORGE
Não Tens Culpa...
Não tens culpa
se este amor nasceu como uma planta humilde
e ignorada,
que ninguém plantou, mas que vive e que cresce,
e afinal em meu peito criou fundas raízes
e todo em flores azuis de sonho se enfloresce...
Não tens culpa de nada...
Que culpa terás se meus olhos
nunca mais te esqueceram
assim tristes corno estão,
e se encontrando desprevenido o pensamento,
entraste e chegaste ao coração?
Culpemos o Destino, ou ninguém.'..
E para que falar em culpa
se de nada estamos certos,
se serás sonho apenas,
sonho de olhos abertos,
fora do alcance da mão?. . .
J G DE ARAÚJO JORGE
Desabafo
Longe de ti, este amor me põe agitado
como um mar de agosto
Eu precisaria talvez de fazer uma sangria
nesta angustiosa saudade
que carrego opresso, tantas horas,
como um sonho desenganado.
Recuo sempre, entretanto. Avaramente recuo.
Não sei partilhar-te com ninguém,
ainda que seja para aliviar
o coração.
JG DE ARAÚJO JORGE
Contraste
Vou pela rua, solitário, miserável em minha tristeza,
como um vagabundo friorento e sem dormida...
Tinha vontade que me encontrasse, para te dizer:
afinal, sem ti, eis o que resta da minha vida,
eis de mim tudo que resta...
E a noite segue ao meu lado, feliz, indiferente
como uma adolescente
de vestido de baile a caminho da festa...
JG DE ARAÚJO JORGE





Olá, vi seu link no ostra e resolvi conhecer. Achei encantador e muito belo. Adoro JG DE ARAÚJO JORGE, é dos meu poeta favorito. Parabéns pelo belos escritos, adorei te ler um pouco. Voltarei mais vezes, e vou seguir já. Convido a conhecer meu blog, e se gostares me siga. Beijos!
ResponderExcluirSmareis
Gosto muito desse autor.
ResponderExcluirLindo seu espaço!
Vim ler vc e deixar o convite para que deixe suas impressões la no meu canto sobre um assunto especial.
Vou adoar saber que por la passou.
Ja estou te seguindo para não nos perdermos mais.
Bjins