terça-feira, 23 de setembro de 2008





Enlevo (Flora Figueiredo)

Eu olho você grande e distante
e da sua grandeza me comovo
e da sua distância me revolto.
Olho de novo.
Procuro reter em minhas mãos sua figura
mas ela gesticula, oscila e cresce
e numa inconstância distraída
no instante exato
por trás da vida desaparece.
Um desacato.
Do meu desaponto eu me levanto
pra levar embora outro desencanto
mas você me divisa e então me chama.
Me aguarda, reclama e me convida
e minha vida nessa ansiedade por fim entrego.
E nesse amor feito de espuma colorida
nós flutuamos: você borbulha, eu escorrego,
ensaboados, você explode, eu me desintegro.

Florescência, Editora Nova Fronteira, 1987 - Rio de Janeiro, Brasil

4 comentários:

  1. Olhos brilhantes maré tardia
    Cabelos rebeldes em desalinho
    Pés descalços no, frio barro
    Um berlinde atirado ao caminho

    Um bando de alegres pardais
    Ou um domador de tempestades
    Apenas um pássaro charlatão
    Dividindo o pão em metades


    Vem mergulhar nas águas do sonho de capitão do Calhau


    Bom fim de semana



    Mágico beijo

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  2. F@, querida amiga
    Passei para lhe deixar meu abraço e desejar um lindo domingo, nesse início de primavera!
    Beijos

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  3. Bom dia amiga!

    Tem selinho no meu blog pra vc.

    beijooo.

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  4. Graças ao amor! Belo texto. Abraço

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