segunda-feira, 26 de maio de 2008




CAVALGADA
(Roberto Carlos)

Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida

Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder na madrugada
Pra me encontrar no seu abraço
Depois de toda cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer

E na grandeza deste instante
O amor cavalga sem saber
E na beleza desta hora .
O sol espera pra nascer.

sábado, 24 de maio de 2008



Brincando com os sons das palavras

enlaço com minhas coxas morenas
teus serenos ombros
estranho abraço

teço
nos fios dos teus cabelos
secretas tranças

danço
movendo a minha pélvis
contra o teu pescoço

canso
repouso sobre a cama
o torso umedecido

lançono
no espaço silencioso
e pálido meus gemidos
mansos são teus movimentos.

Nálu Nogueira

quarta-feira, 21 de maio de 2008

LUA

Ele me deitou nua em cima do calçamento
e eu sabia que era loucura
que era coisa de momento
pensei até que era a lua
danada no quarto crescente
ou era fúria de maré
crescendo dentro da gente
e eu me sentia suada
e eu me sentia escura
mas não tinha medo de nada
que toda paixão da coragem
e me deitei na calçada
com orgulho e vadiagem
e quanto mais me sujava
mas me sentia à vontade
mais eu queria e deixava
mais eu pedia e mais dava
e ria, gemia e brincava
de ter tanta liberdade
ele me deitou na rua
numa qualquer de passagem
e eu sabia que era loucura
que era coisa de um momento
de grande camaradagem.

terça-feira, 20 de maio de 2008

AUSÊNCIA


Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.

Hoje, não a lastimo.

Não há falta na ausência.

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a branca, tão apegada, aconchegada nos meus braços,

que rio e danço e invento exclamações alegres,

porque a ausência,essa ausência assimilada,

ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, 17 de maio de 2008

NÃO TE GOSTO EM SILÊNCIO
(J.G de Araújo Jorge)

Não te gosto em silencio porque te sinto distante...entre a tua boca e a palavra mora talvez minha angustia como entre o dia e a noitevacila a longa duvida do crepúsculo.Não te gosto em silencio,quando ha em teus olhos pousados,dois estranhos pássaros noturnos,e teus labios emudecem como a fonte nos ásperos e interminaveis invernos.Não te gosto em silencio quando te envolves com as coisasque te cercam, como se fosses uma delas,quando estás como as aguas paradas, cuja beleza é apenas o reflexo das estrelas.Por isso te provoco e te atiro perguntascomo pedras quebrando a impassividade do lago,como pancadas no gongo que estremece e vibra e te tráz à tona para mim.Não te gosto em silencio, porque parece que atrás de tua vozainda se esconde alguém que tu propria não conheces,alguem embuçado a ameaçar nosso sonhoe que so tuas palavras poderão expulsar.Não te gosto em silencio, porque preciso aindade tua palavrapara te descobrirlanterna adiante de meu passo, alvorada desenterrando na noite emaranhada meu indeciso caminho.Porque preciso ainda que a tua palavra chegue como um vento fortearrastando nuvens, limpando céus e horizontes,levando folhas doentes, te descobrindo ao sol...Um dia te gostarei em silencio. E então me recolherei em teu silencio,e procurarei a sombra, como um pássaro na hora da tarde,e porque o sol estará em nós e nada turvará meu pensamento,entre tua boca e a palavra haverá apenas um beijo.
♥♥♥

quinta-feira, 15 de maio de 2008

CHEGAR E FICAR


Chegar,
como a brisa que atravessa a janela.
Trazendo as alegrias ,
após atravessar procelas sombrias.

Chegar,
como o barco
soprando de leve,
as brumas do passado.

Chegar,
como a saudade.
Que bate ,
de manso, no coração.


Chegar
como a chuva , finhinha,
mansinha, criadeira,
necessária e tão querida.

Ficar,
nas lembranças do passado,
nas estampas do presente,
A retratar nosso ontem no hoje.

Ficar,
para sempre.
Na imagem nunca esquecida,
dos que nos são tão queridos.


A vida é chegar e ficar,
para sempre.
Vida nunca será partida.

Cecilia Meirelles in "Poesia Reunida"